Há cerca de duas semanas, comecei um trabalho de consultoria em marketing para ampliar o alcance das vendas do meu curso online de educação perinatal. O mais incrível foi ter conhecido o Christian, uma pessoa incrível, que me ouviu e fez perguntas que me fizeram também me ouvir — como há tempos eu não fazia.
Ele pediu ajuda para um site que está montando e quis que eu contasse minha história como doula: como comecei, como foi minha formação, como cheguei até aqui. Foi curioso perceber o quanto minha trajetória sempre foi o avesso do que é visto como certo — que não é o errado, mas diferente.
Não tive uma formação tradicional, estruturada como as de hoje. Minha formação foi a ferro e fogo, como sempre dizia a Laura Müller. Comecei doulando e estudei o parto assistindo ele acontecer.
Algo que muita gente com diploma nunca viveu.
Nem mesmo meu interesse pela doulagem surgiu de algo exatamente esperado. Nunca quis ser mãe. Freud talvez explique. Mas a verdade é que quis me tornar doula para acompanhar processos abortivos. Minha missão era garantir que ninguém passasse pelo que eu passei sozinha. Viabilizei muito acesso à informação e apoio de qualidade. E, na mesma semana em que acompanhei o primeiro parto, acompanhei, à distância, o primeiro aborto.
A vida e a morte sempre transitaram em mim de muitas maneiras. E foi assim que me tornei doula. Da vida e da morte. Não de toda a vida, nem de toda a morte. Porque tudo não cabe em nada. Mas acompanhei, e sigo acompanhando, muitos processos sagrados.
Escrevo porque hoje reconheço que não caibo em nenhum lugar do mercado. Ainda assim, vou vender meu curso online de educação perinatal, porque ele é lindo. É artístico. Como a vida. E sinto que pode ajudar muitas pessoas a encontrarem seu próprio modo artístico de parir e viver a parentalidade.
Tenho acompanhado partos com parteiras, tenho aprendido essa missão, e tem sido resplandecente. Hoje, assinei uma Declaração de Nascido Vivo com menos de 30 minutos de conversa na secretaria de saúde.
Ouvi a Karla Terra, parteira da tradição, no último parto que assistimos juntas, dizer que “a vida é boa”. Ela nem imagina o quanto essa frase encheu meu coração de esperança…


